Como criaturinha imaginante e escrivante que sou uso de tudo que acontece comigo como inspiração para escrever e com o tempo outras formas de arte acabam por inspirar-me a viver coisas que depois serão escritas. Teatro me dá vontade de esquecer tudo que já sei sobre a vida que levo e aprender tudo de novo como se não tivesse raízes, dança me dá vontade de descobrir novas alturas e gestos como se eu nunca tivesse notado minhas mãos antes e música tem efeitos especiais.
Apesar de todas essas formas de arte causarem efeitos radicais, a música é a influência mais forte de todas elas. Pra cada pensamento uma banda e pra cada emoção um ritmo pq toda pessoa tem sua própria trilha sonora feita pelo coração que às vezes acelera ou simplesmente para.
Dentre tantos possíveis estilos aquele que torna minha vida um livro de romance forte daqueles que se lê para perder o sono é Cazuza. Tanto ele quanto Barão Vermelho conseguem chegar na mesma vibração que bate meu coração com sangue quente.
Vai entender pq, mas coisas raras que me deixam mais doce e com vontade de me entregar a paixão podem desaparecer em uma troca de acordes se me der vontade de ouvir Cazuza. O ritmo da música me faz morder os dentes, o som pesado da guitarra me dão uma força tremenda para esmurrar tudo aquilo que me dói e a voz de euforia ou acalento de Cazuza e Frejat parecem sussurrar ao meu ouvido ordens pra me ir buscar minha liberdade longe daquilo me fez ouvir os versos do poder.
E hoje eu peço que não me façam ter vontade de ouvir Cazuza como quem precisa de um hino, principalmente se estiver cantarolando Blues da Piedade, Homem Não Chora e Nosso Amor a Gente Inventa. Mas também não permitam que eu viva sem sentir essa fúria, pq a calmaria que vem em seguida é o que me mantém em harmonia com o festival da vida.
