terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Não me faça ouvir Cazuza

Como criaturinha imaginante e escrivante que sou uso de tudo que acontece comigo como inspiração para escrever e com o tempo outras formas de arte acabam por inspirar-me a viver coisas que depois serão escritas.
Teatro me dá vontade de esquecer tudo que já sei sobre a vida que levo e aprender tudo de novo como se não tivesse raízes, dança me dá vontade de descobrir novas alturas e gestos como se eu nunca tivesse notado minhas mãos antes e música tem efeitos especiais.
Apesar de todas essas formas de arte causarem efeitos radicais, a música é a influência mais forte de todas elas. Pra cada pensamento uma banda e pra cada emoção um ritmo pq toda pessoa tem sua própria trilha sonora feita pelo coração que às vezes acelera ou simplesmente para.
Dentre tantos possíveis estilos aquele que torna minha vida um livro de romance forte daqueles que se lê para perder o sono é Cazuza. Tanto ele quanto Barão Vermelho conseguem chegar na mesma vibração que bate meu coração com sangue quente.
Vai entender pq, mas coisas raras que me deixam mais doce e com vontade de me entregar a paixão podem desaparecer em uma troca de acordes se me der vontade de ouvir Cazuza. O ritmo da música me faz morder os dentes, o som pesado da guitarra me dão uma força tremenda para esmurrar tudo aquilo que me dói e a voz de euforia ou acalento de Cazuza e Frejat parecem sussurrar ao meu ouvido ordens pra me ir buscar minha liberdade longe daquilo me fez ouvir os versos do poder.
E hoje eu peço que não me façam ter vontade de ouvir Cazuza como quem precisa de um hino, principalmente se estiver cantarolando Blues da Piedade, Homem Não Chora e Nosso Amor a Gente Inventa. Mas também não permitam que eu viva sem sentir essa fúria, pq a calmaria que vem em seguida é o que me mantém em harmonia com o festival da vida.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

De malas prontas

E foi assim que eu fiz minhas malas. Não suportei olhar o espelho e aceitar que aquela mulher maquiada e bem vestida me encarando como se esperasse de mim algo útil e produtivo fosse o meu próprio reflexo.
Foi insuportável não me ver no espelho, aquela
imagem não poderia ser a minha. Então fiz as minhas
malas com bonecas e balas e parti para o refúgio mais
longínquo e secreto que se pode haver: debaixo da cama.
Lá revi meus marcos escritos, desenhados e colados no
estrado da cama. O primeiro dente de leite, minha primeira
assinatura, adesivos brilhantes que não trocaria por nenhum outro
e no meio de tantas conquistas encontrei aquela culpada por tamanha
mudança na minha imagem refletida no espelho.
Por entre seis pequenos corações eu escrevi no dia 20 de março o nome de um garoto o qual nem
imagino como sua imagem se reflete mas por causa desse primeiro beijo que minha imagem mudou.
Como eu faço agora pra recuperar meu reflexo mais doce e mais livre? Será que ele entenderia se
pedisse o tal primeiro beijo de volta?
Quando embarco em devaneios desse tipo meu esconderijo se transporta pra alguma lugar muito
distante de tudo e o tempo deixa de exisitir, só me dei conta de lá fora quando vieram me chamar
pra ver um presente que tinha chegado. Um ursinho de pelúcia segurando um doce colorido com um
cartão que dizia: - Você me lembrou que a vida é pra ser infantil.
Confesso que depois disso nunca mais entendi se fugi ou se me encontrei.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Minha mentira mais gostosa

Certas histórias de verão deveriam ser publicadas no jornal pra todo mundo entender pq o sol brilha mais forte nessa época do ano. Isso que aconteceu não foi no verão, mas deveria ter sido; na realidade foi em vésperas de verão o que já é alguma coisa ( assim espero ), mas eu a ponho agora como história de verão pois ela termina com aquele sorriso delicioso típico da estação.
Tudo começou quando no tédio de fim de aula me bateu uma vontade de sentar na janela e procurar coisas interessantes na vizinhança. Num relance notei que a casa em construção ainda estava em construção, que os passarinhos pulavam do fio de energia até uma árvora grande com flores vermelhas e que a casa de tijolos á vista estava vazia, até que numa segunda olhada botei reparo em uma garota curiosa.
Garotas curiosas são a melhor inspiração pra histórias de verão, os garotos vem sempre com as mesmas histórias de romance ou aventura mas as garotas permitem viagens maiores, nós somos naturalmente personagens de contos incríveis que inspiram todo tipo de novidade e com essa garota não foi diferente.
Vendo sua distração com sabe-se lá o que, escrevi minha poesia mais dedica com toda minha alma e energia. Coloquei o mundo inteiro aberto numa folha de papel propositalmente rasgada e amassada, por força de lirismo maior não me lembrarei das palavras ali derramadas mas posso afirmar que é a poesia mais bela do mundo.
Escrevi o endereço dela no cantinho do papel, rabisquei qualquer assinatura e deixa em uma das casas nossas vizinhas e ainda por força do lirismo maior a vizinha foi conferir as cartas do correio e encontrou a poesia que já não era mais minha. Foi delicioso ver o sorriso e olhos da senhorinha que lia os tais versos e melhor ainda foi notar que as duas criaram uma certa cumplicidade que só eu conhecia.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Meu mundo, lindo mundo, doce mundo.

Nada me faz mais leve e feliz do que a sensação de colocar esse teclado já macio por cima das pernas esticadas na mesa, estalar os dedos e procurar a letra de início. Talvez se eu fosse da época de penas ou dá velha máquina de escrever a sensação não seria tão boa assim, pois aqui pessoas entram e saem do msn, o orkut é atualizado a cada quinze minutos e eu simplesmente paro com tudo e venho escrever. Fugir passa a ser fuga para ser refúgio.
É divertido assim. Uma conversa monótona ou animada, a vontade de ver alguém tudo entra em pausa para que escreva, tudo espera e tudo assiste as letras surgirem a cada leve toque no teclado preto. Minha imaginação abre espaço com suas mãozinhas pequenas e o mundo inteiro pode ser o que eu quiser! Escrever é egoísmo, prepotência, inocência, melancolia e tudo que me faz sentir vontade e quebrar todo e qualquer limite e até cria-los se assim me convir.
Minha vida começou no primeiro sonho, na primeira história, na primeira mentira. Minha mente cresce mais rápido que eu mas sonolenta que o mundo. Minha mente e eu, criando conflitos, ciúmes, apelidos. O teclado dá o ritmo da emoção e nesse embalo meu coração pulsa ansioso por fechar o livro, abraçá-lo e pensar no dia em que serei assim. Me sinto bem por ser mulher, criança e imaginadora de mundos.
Adoro esquecer palavras e reiventa-las, adoro misturar todos os pensamentos em uma página e ter uma sensação diferente pra cada revisão. Gostaria de conhecer e inventar todas as línguas e todos os sons a fim de misturá-los e dividi-los segundo seu som, seu ritmo, sua intensidade e minha vontade. Ser dona de todas as palavras e efeitos. Ou de maneira mais simpática saber aproveitar as gírias e expressões para fazer alguém sorrir de vez em quando.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Um pouco antes de ganhar uma caixinha mágica que pinta os lábios e os olhos e muito depois de decorar Peter Pan ela tinha a mania de colecionar e distribuir coisas legais como olhos eletrizantes, conversas infinitas, angústias desconhecidas, mundos inteiros visitaram seu coração. Tantas pessoas e sentimentos a acompanhavam que suas idéias explodiam pelos dedos e até pela alma! Eis que o de repente apareceu pra fazer sua parte da história...
Antes disso é necessário esclarecer que nada está esclarecido na parte da história em que o de repente se apronta, sabemos apenas que nessas alturas ela está viajando pelo mundo do auto-conhecimento e mantendo contato frequente com sua amiga Sofia e descobrindo afinal pra que serve a troca de olhares. Parem um minuto para refletir sobre o efeito de um de repente nesse momento do mais puro romantismo.
Enfim o de repente aparece na história misturando sonhos, lembranças, desejos, pessoas, sentimos, momentos e até chegando ao limite de apagar idéias. Uma grandíssima desvantagem do de repente é que ele só é notado depois de um certo tempo e nessa história ele só foi notado na fase do - Ah se eu soubesse - mas o que se pode fazer agora quando tudo que podia ser feito já o foi?
Coloco pra vocês três perguntas de angústia castelista:
O que falta em mim?
Porque sinto falta?
Como conseguir?

Nessa história sabemos apenas que o que está faltando impede na mesma medida de dor a vontade de se estar por inteiro. Recuperem as lembranças e por favor não sintam.

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